Vendas externas sinalizam expansão



A analista de mercado Lígia Pimentel, da Scot Consultoria, ressalta que aspectos positivos previstos para este ano na pecuária de corte não podem ser ignorados. “Há espaço para otimismo sim, embora de forma comedida”, diz.

Ela acredita que a possibilidade de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e a retomada do mercado externo devem aquecer o setor pecuário. Segundo a especialista, as previsões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já indicam que os embarques brasileiros de carne bovina devem crescer 20% em 2010.

Dados da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec) indicam que o Brasil exportou 78.130 toneladas de carne bovina em janeiro, 12% mais que no mesmo mês de 2009. O levantamento considera embarques de carne in natura e industrializados.

A retomada da demanda internacional também possibilitou um aumento de 15% no preço médio de exportação na mesma comparação, para US$ 3.648 por tonelada. Como consequência, a receita obtida com as exportações cresceu 28% em janeiro, atingindo US$ 285,01 milhões no mês passado.

Indústrias

Além disso, depois do período de crise vivido por vários frigoríficos, algumas unidades industriais que foram arrendadas por outras empresas já voltaram ou devem voltar a funcionar em breve. “Se essas unidades voltarem ao mercado utilizando 50% da capacidade instalada, deve haver um aumento da necessidade de matéria-prima da ordem de 3,6 milhões de cabeças em todo o País”, calcula Lígia.

Os frigoríficos Arantes, Independência, Estrela e Margen (arrendado pelo Marfrig) já tiveram seus planos de recuperação judicial aprovados em assembleias. O Quatro Marcos, com cinco unidades arrendadas pelo JBS-Friboi, tem assembleia marcada para o dia 4 de março.

Concentração

A retomada das atividades nesses frigoríficos, no entanto, não anima José Manoel Caixeta Haun, presidente da Comissão de Pecuária de Corte da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg). A entidade calcula que 3 mil pecuaristas goianos têm dinheiro a receber dos frigoríficos que tiveram problemas financeiros nos últimos meses.

As unidades que voltam a funcionar nessas condições preocupam os pecuaristas, segundo ele, porque isso pode aumentar a concentração no setor. “Além disso, não basta abater, é preciso mercado novo para vender a produção. O funcionamento das unidades não agrega valor para os pecuaristas. É bom mesmo para os próprios frigoríficos, em razão da logística”, afirma. (O Popular)

Escrever comentário
Detalhes de contato:
 
Comentário:
Segurança Por favor insira o código da imagem.

!joomlacomment 4.0 Copyright (C) 2009 Compojoom.com . All rights reserved."