Gestão de custos e riscos para produtores rurais


- Saber produzir, comprar e vender não são atividades fáceis. Elas requerem profundo conhecimento dos mercados local, nacional e  internacional. O que se observa no dia-a-dia é que a maioria dos produtores rurais enfrentam inúmeras dificuldades no que diz respeito ao preço de comercialização do produto produzido.


- O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural ( SENAR ) de Goiás e a Federação de Agricultura e Pecuária de Goiás ( FAEG ) em parceria com a CNA e BM&F, realizaram em Caldas Novas, Rio Verde e Goiânia o “CAMPO FUTURO”. Trata-se de um curso com duração de 40 horas, onde o objetivo central e fazer com que o aluno ( produtores rurais ) entendam o mecanismo de apuração de custos de produção através de planilha e também os mecanismos de negociação na Bolsa de Mercadorias  e Futuros. Confira na íntegra a reportagem publicada no Suplemento do Campo do dia 26 de junho.

Custos e riscos bem administrados - Produtores rurais aprendem a trabalhar com contratos na Bolsa para ter mais segurança no preço final do produto "Pablo Hernandez ( Suplemento do Campo / 26/06/2008)"

- Plantar, colher e vender. A atividade rural não é mais tão simples assim. O administrador que espera obter uma renda suficiente para abater os custos de produção e ainda pagar as contas da família corre o risco de ver a propriedade se depreciar. Vai também perder oportunidade de investir e assim lucrar mais. De olho no atual panorama de mercado, muitos agricultores e pecuaristas procuram se informar e renovar o jeito de administrar o negócio.

 

 

- Nandes Ribeiro dos Santos ( foto esquerda )  é um deles. Pecuarista de corte na região de Porangatu, está há 15 anos no negócio. Nesse tempo, ele confessa que já se sentiu trabalhando no escuro, sem segurança. “Eu deixava de levar em conta todos os custos de produção. O custo de oportunidade, que é o investimento em benfeitorias e equipamentos, ficava mascarado”, conta.
- Termos utilizados por Nandes, como custos de produção e oportunidade foram incorporados a seu dicionário após alguns cursos. O último, campo futuro, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-Goiás). A idéia do pecuarista é aperfeiçoar a administração para depois trabalhar em uma realidade cada vez mais presente, o mercado futuro.

Contratos na bolsa


Mas, afinal, o que são os contratos futuros? “Na bolsa, o fazendeiro pode administrar o risco de preço de seu produto”, explica Luíz Afonso Angrisani, do departamento técnico do Senar-Goiás. Por exemplo, um pecuarista que gasta 50 reais com a produção da arroba do boi pode oferecer o produto para daqui a seis meses a 60 reais. “Ele vai travar o seu lucro em 10 reais”, diz Afonso. Desse modo, o pecuarista já contaria com um lucro palpável e o comprador, na maioria das vezes um frigorífico, poderia fazer suas estimativas para daqui a seis meses.

Luiz Afonso Agrisani / Coordenador Senar
Fernando B. Fernandes / Instrutor Senar

- É bom lembrar que o pecuarista não vai até o mercado futuro sozinho. Esse tipo de contrato é vendido no pregão por meio de corretoras. Afonso lembra que é importante a empresa ser credenciada junto à Bolsa de Mercadorias e Futuros (BMeF).
- A operação tem um custo. O pecuarista paga para o corretor uma comissão que depende do volume de negócios fechados. É função da corretora acompanhar toda a movimentação de compra e venda no pregão. O preço futuro do boi gordo é negociado em pregão eletrônico. Ele mostra qual é a expectativa do mercado sobre as condições de oferta e procura no futuro.
- Outro exemplo é o produtor de milho que está planejando a colheita para daqui a quatro meses, mas não sabe a que preço estará o produto na época. Para evitar muitas perdas, caso haja uma queda brusca de preço, ele compra uma opção de venda. “Com isso, garante que vai vender o produto a determinado preço, em determinada data”, acrescenta Afonso. Isso é o que se chama de hedge.

 

 

- Os participantes desses contratos futuros podem perder ou ganhar. Por isso, um dos pontos mais delicados para os agricultores e pecuaristas é saber com que preço o produto será travado. Se o valor for baixo, ele poderá deixar de ganhar dinheiro lá na frente, no mercado normal.

Produtores de grãos também se protegem no mercado futuro


- Não é apenas o pecuarista de corte que tem a possibilidade de investir no mercado futuro. A BMeF trabalha com os futuros de soja e milho. É justamente esta possibilidade de investimento que o agricultor Servílio Jacinto de Almeida procura em busca de maior segurança para a sua atividade.
- Em sua propriedade, no município de Indiara, Jacinto trabalha com produção irrigada de milho, tomate e soja. Ele está na agricultura desde 1982. De lá para cá, muita coisa mudou. “Hoje existe mais profissionalismo. Já participei de vários cursos, buscando melhorar a qualidade, diminuir os custos e aumentar os lucros”, conta.
- O próximo objetivo do produtor Servílio Jacinto é evoluir na questão da comercialização, afirma. Para isso, ele está de olho no mercado futuro. “Hoje, não temos garantia de preço, sempre estamos inseguros”, justifica.

 

Servílio Jacinto de Almeida / Agricultor e Turma em Treinamento